Como a tecnologia da informação e a robótica estão revolucionando a indústria no mundo.
Um pequeno passeio na história
Entre os séculos XVIII e XIX, a maneira como o mundo produzia seus produtos passou por uma revolução que mudaria o caminho da fabricação de artefatos para todo o sempre. A primeira revolução industrial, inicialmente na Europa, transformou trabalhos antes artesanais em processos industriais, onde máquinas passaram a realizar produções em maior escala e em menor tempo. Um dos equipamentos responsáveis por essa revolução foi o tear mecânico, utilizado na produção de tecidos de algodão. Era o começo da indústria, seguida depois pelo emprego do aço, energia elétrica e derivados de petróleo. O processo só foi aumentando, com a invenção do motor a explosão e evolução dos meios de transporte, como a criação da locomotiva a vapor, causando a segunda revolução industrial.
O século XX reservava ótimas surpresas em relação à tecnologia. Com a evolução dos computadores e dos meios eletrônicos (telefones móveis, fax, Internet, robótica e outros), o mundo passou a conhecer novos métodos de automação industrial, onde “robôs” realizavam o trabalho de vários homens em menor tempo e com qualidade superior. Foi a terceira revolução industrial, que trouxe consigo, além dos benefícios citados, preocupações maiores com o meio ambiente, energia limpa e renovável, reciclagem e outros. Também, imensos progressos na eletrônica, nanotecnologia e biotecnologia – que vêm acontecendo até o momento – impulsionaram ainda mais as indústrias atuais, reduzindo custos e tempo de produção.
Mas, e o futuro? Aliás, ainda mais importante, a pergunta é: como estamos hoje? A indústria chegou em seu ápice? A terceira revolução industrial estabeleceu o padrão atual? Bem, aparentemente, estamos em uma transição. Chegamos à indústria 4.0.
Indústria 4.0: uma nova maneira de se encarar a produção
A digitalização da fabricação é uma transformação significativa em relação à maneira como produzimos produtos. A indústria 4.0 refere-se a uma nova fase na Revolução Industrial que se concentra fortemente na interconectividade, automação, aprendizado de máquina e dados em tempo real. É também conhecida como IoT (Internet of Things ou Internet das Coisas) ou manufatura inteligente e une produção física e operações com tecnologia digital inteligente, aprendizado de máquina e big data para criar um ecossistema mais holístico e melhor conectado para empresas focadas na manufatura e no gerenciamento da cadeia de suprimentos. Ela se iniciou na Alemanha, por volta de 2013 e logo se tornou assunto no resto do mundo. Dispositivos como impressoras 3D, cortadoras a laser, inteligência artificial e sistemas ciber-físicos permitiram uma rápida ascensão desse tipo de manufatura. Apenas para citar alguns dos benefícios, a indústria 4.0 promove maior produtividade e melhor gerenciamento de recursos, tomada de decisão mais eficiente baseada em informação real, processos produtivos otimizados e integrados, aumento da flexibilidade para alcançar uma produção em massa e personalizada em tempo real, comunicação direta entre clientes e organizações (o que significa que podemos entender melhor o que os clientes precisam), redução do tempo de fabricação, tanto no design de novos produtos quanto no merchandising destes, redução da porcentagem de defeitos ou encolhimento nas fábricas (pois será possível testar os protótipos de forma virtual e as linhas de montagem serão otimizadas) entre outros.
A Indústria 4.0 baseia-se na revolução digital e explorou maneiras pelas quais a tecnologia pode se transformar em novos fundamentos, incorporando-se a objetos, sociedades e ao corpo humano de maneiras que poderíamos ter imaginado antes, como carros autônomos.
A ciência da computação e a segurança cibernética desempenharão um papel crucial, mais do que nunca, em garantir que esses sistemas físicos cibernéticos continuem a fornecer os recursos dos quais tiramos proveito. É o estágio mais recente do ciclo de vida de muitas organizações que os ajuda a usar dados, análises e inteligência artificial para utilizar a tecnologia inovadora para oferecer personalização e gratificação instantânea a um mundo de consumidores acostumados a receber tudo sob demanda.
E o Brasil? Está preparado para essa revolução?
A economia brasileira passou recentemente por uma de suas piores adversidades. O governo enxerga na indústria 4.0 potencial para crescimento econômico e industrial no país, apesar de que, de acordo com pesquisas, o total de empresas no Brasil que adota as tecnologias da Indústria 4.0 é de apenas 2%.
Para fomentar essa revolução, foi criada a agenda brasileira para a indústria 4.0, que possui um conjunto de medidas que visa aumentar a competitividade da indústria brasileira no cenário global. Dentre essas medidas, destaca-se alíquota zero para a importação de robôs, capacitação profissional e recursos para fábricas do futuro, além de amplo suporte ao empresário que seguir pelo caminho dessa transformação digital. Há financiamentos especiais para plantas voltadas às fábricas do futuro e projetos de modernização, além de investimentos em startups ligadas à inovação e tecnologia. É possível ter mais informações sobre a agenda no site http://www.industria40.gov.br/. Há tanto interesse do governo neste assunto que, em março deste ano, foi feito o lançamento da Câmara Brasileira da Indústria 4.0. A primeira reunião aconteceu no Ministério da Economia, no dia 7 de Maio, e reuniu representantes do governo, setor empresarial e Academia, onde foram discutidos, além de outros temas, as ações a serem colocadas em prática, bem como sobre os trabalhos para construir a estrutura de 5G no Brasil, fator imprescindível para o progresso da indústria 4.0.
Ainda há um grande caminho a seguir, especialmente em nosso país. Empresas como a Quality Technology estão sempre se atualizando para acompanhar as tendências e modernidades. O importante é reconhecer suas necessidades, ver onde é possível aplicar uma mudança e estar sempre atualizado, afinal, qualidade, velocidade e custo andam juntos.